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Hipertermia em cães e gatos – o que é e como prevenir

Todos nós conhecemos as altas temperaturas do verão brasileiro. Além de trazer desconforto para nós, os pets podem sofrer mais com o calor excessivo durante essa estação. Em geral, os animais são mais sensíveis às altas temperatura do que os seres-humanos, pois possuem mecanismos distintos dos nossos para manter a sua termorregulação. Portanto, a hipertermia (aumento da temperatura corporal) é algo que pode ocorrer com certa facilidade nos pets, principalmente nos cães. Essa condição é grave, e quando ocorre por causa do calor ambiente é chamada de hipertermia por intermação. Veja a seguir o que é, como prevenir e o que fazer se seu pet passar por esse problema.

 

O que é a hipertermia por intermação?

 

A hipertermia por intermação nada mais é do que uma síndrome determinada pela ineficiência do organismo de controlar o aumento excessivo da temperatura corpórea. Esse tipo de transtorno costuma ser muito grave por causar diversas alterações sistêmicas importantes que colocam a vida do pet em risco. Por esse motivo, a afecção é considerada emergencial e deve ser diagnosticada e tratada rapidamente de acordo com os sintomas apresentados.

 

Ocorrência

 

Em relação à ocorrência, os gatos estão menos predispostos a ter esse distúrbio do que os cães, e isso está diretamente relacionado com os seus hábitos e comportamentos peculiares.  Dificilmente você verá algum felino acompanhando o seu dono em uma caminhada, corrida ou até mesmo saindo para uma volta nos momentos mais quentes do dia. Justamente por ter esse comportamento mais reservado é que eles estão menos propensos a sofrer com o calor. Entretanto, é válido ressaltar que ambas as espécies podem ser acometidas.

 

O que causa a hipertermia por intermação?

 

As principais razões que levam ao aumento significativo da temperatura corpórea são: exposição ao sol por muito tempo, exercícios físicos intensos em dias quentes e ficar em um local quente e abafado, com pouca ventilação. Ou seja, quando a temperatura do ambiente está muito alta por um tempo longo.

 

Os cães e gatos praticamente não transpiram, e em sua maioria têm uma grossa camada de pelos. Diferente de nós, eles quase não têm glândulas sudoríparas na pele, apenas algumas nos coxins (solas das patas). Isso reduz a capacidade de perda de calor para o ambiente, dificultado a regulação da temperatura corpórea. Os cães e gatos trocam calor com o ambiente através da boca e focinho, ao respirarem rápida e superficialmente (ofegar), liberando vapor de água.

 

Alguns fatores podem contribuir para que o animal tenha dificuldade de dissipar o calor, como a obesidade, obstrução das vias aéreas superiores (impede a troca eficiente de calor pela respiração, principal meio de termorregulação) e doenças cardíacas que diminuem o volume de sangue bombeado para o corpo e, consequentemente, impedem a troca de calor pela pele. Animais que possuem a pelagem escura absorvem mais o calor e sofrem mais debaixo do sol. Não podemos deixar de citar os braquicefálicos, portadores de dificuldades respiratórias visíveis. Cães como pug, bulldog, shih tzu, pequinês, boxer, entre outros, são, portanto, mais susceptíveis a hipertermia por intermação. Animais muito pequenos, como raças do tipo toy, também tem dificuldades de regular sua temperatura adequadamente em dias muito quentes, ou muito frios.

 

Como é feito o diagnóstico?

 

A hipertermia em cães e gatos pode ser confirmada quando a temperatura corporal estiver superior aos 40ºC. O diagnóstico da condição que confirma o problema por causa do calor ambiente, é feito com base no histórico, na temperatura corporal elevada e nos sinais clínicos apresentados. É preciso saber diferenciar a febre da hipertermia por intermação. Apesar de ambos os quadros apresentarem o aumento excedente da temperatura, as causas são diferentes. Os quadros febris estão relacionados com a resposta imunológica do organismo (processos inflamatórios e infecções), doenças autoimunes e tumores no hipotálamo, região do encéfalo responsável por manter a temperatura corpórea controlada. Já a hipertermia por intermação está relacionada apenas com o calor ambiente.

 

Os sinais clínicos podem ser observados de acordo com o esforço do organismo de compensar a alta temperatura e com o grau de hipertermia atingido. Sendo assim, podemos separar os quadros em dois estágios: inicial e avançado.

 

Estágio inicial: é possível notar mucosas hiperêmicas (vermelhidão por aumento de quantidade de sangue no tecido), aumento da frequência cardíaca, respiração ofegante, desidratação, vômitos, diarreias, salivação abundante e agitação.

 

Estágio avançado: as mucosas ficam pálidas ou amareladas, urina com coloração escura, arritmia cardíaca, pulso fraco, distúrbios mentais, alteração da consciência, convulsões, incoordenação motora, tremores musculares, fraqueza, diarreia (podendo conter sangue), vômitos e até parada respiratória.

 

Não existe atualmente nenhum exame específico que diagnostique a hipertermia por intermação, mas é fortemente recomendado fazer exames laboratoriais para avaliar as condições sistêmicas após o ocorrido. Pelo fato de que normalmente há o comprometimento de vários órgãos, é preciso aferir a pressão arterial, solicitar a dosagem de lactato (para avaliar a perfusão tecidual) e pedir um hematócrito (exame de sangue) para analisar as proteínas totais, bilirrubina, ureia, creatinina, glicemia, quantidade de eletrólitos e a hemogasometria (níveis de pH, oxigênio e gás carbônico no sangue).

 

Tratamento

 

Para que o tratamento seja eficaz, é fundamental levar imediatamente o pet a uma clínica veterinária. Somente la é possível que o Médico Veterinário faça o diagnóstico rápido e implemente a melhor conduta terapêutica rapidamente. A primeira medida a ser tomada é restabelecer os aspectos hemodinâmicos e melhorar a oferta de oxigênio para os tecidos, com a finalidade de evitar maiores danos aos órgãos. Em seguida, o foco deve estar voltado à redução da temperatura corpórea. Há diversas técnicas de resfriamento, mas a mais indicada é a de resfriamento externo. Essa técnica consiste na utilização de ventiladores ou ar condicionado no ambiente, fluidoterapia por via endovenosa (temperatura ambiente) e aplicação de toalhas molhadas com álcool ou água morna na parte superior e inferior das patas, região abdominal e axilar. Dentre essas três opções, a mais eficiente é a fluidoterapia, pois além de contribuir para a perda da temperatura, ainda reidrata o animal.

 

Em nenhuma hipótese deve-se molhar o animal com água gelada! Quando a pele entra em contato direto com algo gelado, acontece uma vasoconstrição periférica, impossibilitando o organismo de utilizar um dos seus principais meios de dissipação de calor. Medidas caseiras devem ser evitadas, pois pela gravidade da condição, apenas um atendimento veterinário tem recursos necessários para reverter o quadro.

 

Como prevenir

 

A prevenção é feita de acordo com algumas medidas simples. Confira abaixo algumas dicas essenciais para evitar a hipertermia por intermação.

 

1. Sempre deixe algumas vasilhas com água espalhadas pela casa, pois o consumo diário nessa época do ano aumenta. Com as altas temperaturas, a evaporação acontece de maneira mais acelerada. Portanto, disponibilizando vários recipientes pela casa é possível evitar que falte água ao longo do dia.

 

2. Nunca deixe a casinha do seu pet em lugares que o sol bate diretamente. Mesmo promovendo um lugar com sombra, quando exposta ao sol pode propiciar um ambiente abafado e quente. Sendo assim, prefira lugares onde tenha sombra o dia todo.

 

3. A maioria dos casos de hipertermia ocorrem durante passeios. Primeiramente, evitar sair com o animal nas horas mais quentes do dia, mesmo que seja para uma rápida caminhada. Em dias muito quentes, faça os passeios até no máximo as 9h,, ou somente após as 17h, quando o clima está mais fresco. Não se esqueça de verificar a temperatura do solo e de optar por lugares arborizados, como parque e praças.

 

4. Nunca deixe um animal em um local completamente fechado. Se o ambiente estiver muito quente deixe um ventilador ou um ar condicionado ligado.

 

5. Em hipótese alguma deixe o pet fechado dentro de um veículo, mesmo que esteja à sombra, ou que seja por alguns minutos. A temperatura interna de um carro sobe muito rapidamente, somado ao estresse que o animal vai sentir, o risco de algum problema é muito grande.