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Saiba a diferença entre os tipos de mastite

A mastite bovina é uma enfermidade que preocupa todos os produtores de leite. Quando presente no rebanho, causa prejuízos devido aos gastos com o tratamento, e principalmente, por interferir diretamente na qualidade do leite. Além disso, ainda gera desconforto no animal, diminuindo a produção diária da vaca. Veja no texto abaixo tudo sobre essa patologia, como prevenir e tratar, e principalmente, como diferenciar os tipos de mastite.

 

O QUE É?

 

A mastite bovina é uma inflamação nas glândulas mamárias da vaca causada por microrganismos. A mastite causa alterações importantes nas propriedades físicas e químicas do leite.

 

Uma dessas alterações é o aumento do número de células somáticas. Células somáticas são as células epiteliais oriundas da descamação do tecido mamário, além de células de defesa do animal que migram para o úbere quando há contaminação e processo inflamatório na região. Essas células são transportadas para as glândulas mamárias na tentativa de eliminar os patógenos que estão lesionando o tecido.   A consequência é o aumento da quantidade dessas células no leite. Dessa forma, a contagem de células somáticas (CCS) serve como parâmetro de avaliação da saúde do úbere e dos tetos, que interferem diretamente na qualidade do leite. Outra alteração importante é o aparecimento de grumos ou pús, que modificam as características físicas do produto e impedem a sua comercialização.

 

A mastite pode ser classificada como:

 

MASTITE SUBCLÍNICA

 

A mastite subclínica pode ocorrer em qualquer fase da lactação e caracteriza-se pelo aumento da Contagem de Células Somáticas (CCS), maior que 300.000. Tem como fonte de transmissão fômites, como as mãos do ordenador, os panos usados na secagem dos tetos, as esponjas usadas para limpar a mama, as teteiras das unidades de ordenha e moscas, transmitindo a doença dos quartos doentes para quartos sadios, do próprio animal ou de outros animais.

Os principais agentes causadores da mastite subclínica são bactérias contagiosas (gram -positivas), que são aquelas que estão presente no próprio animal, principalmente Staphylococcus aureos Streptococcus agalactiae.

Naqueles animais onde há um histórico de mastites recorrentes, em que a vaca apresentou mastite em lactações anteriores e/ou vários casos da doença na mesma lactação, caracterizando um quadro de vários tratamentos sem sucesso, classificamos estes casos de mastites crônicas.

 

MASTITE CLÍNICA

 

A mastite clínica é classifica em três tipos: leve, moderada e aguda.

Leve: Não há alterações sistêmicas, apresentando apenas alterações no leite, como grumos, leite aguado ou com traços de sangue. Ocorre em qualquer fase da lactação. Pode ser causada tanto por bactérias contagiosas (gram-positivas) como por bactérias ambientais (gram-positivas e negativas);

Moderada: Não há alterações sistêmicas e além das alterações no leite, a mama apresenta alterações como inchaço, vermelhidão, edema, enrijecimento do quarto afetado. Ocorre em qualquer fase da lactação. Tem como causa as mesmas da mastite clínica leve.

Aguda: Além das alterações no leite e na mama, observa-se febre e outros sinais de distúrbio sistêmico como: depressão acentuada, pulsação fraca, olhos fundos, fraqueza e anorexia, podendo até levar o animal a morte. Ocorre geralmente no período pós-parto até o pico de lactação. Tem como principal causa bactérias ambientais (gram-negativas), principalmente coliformes, como Escherichia coli, Klebsiella pneumonae e Enterobacter aerogenes.

No caso das mastites causada por bactérias ambientais, principais causadoras de mastite aguda, a transmissão se dá pela penetração das bactérias pelo ducto do teto, assim a permanência dos animais em um ambiente com excesso de fezes, lama e umidade nos períodos pré e pós-ordenha favorece ao aparecimento deste tipo de mastite no rebanho.

 

PREVENÇÃO E CONTROLE

Para que a prevenção seja realizada de forma correta, é importante entender que a ocorrência da mastite está diretamente vinculada a relação entre o animal, agente etiológico e meio ambiente. Portanto, é importante que os funcionários estejam bem treinados e atentos a todos esses elos, a fim de evitar a manifestação da doença no rebanho. Veja abaixo quais são as recomendações para evitar a mastite.

 

Em relação ao meio ambiente: É no ambiente que estão presentes grande parte dos microrganismos que podem causar a mastite. Dessa forma, é indicado a higienização correta de todos os lugares em que as vacas circulam. Como elas passam muito tempo deitadas ao longo do dia, as camas devem receber uma atenção especial e devem ser desinfetadas frequentemente. Fatores como temperatura e umidade das camas devem ser controlados para que não haja multiplicação e sobrevivência dos agentes.

 

Outro fator importante para a prevenção é a higienização da sala de ordenha, dos equipamentos e a instrução aos funcionários para que usem luvas limpas durante o contato com as vacas e o mais importante: para higienizarem as mãos a cada troca de lote.

 

Em relação ao animal: o manejo também é essencial para prevenção. É aconselhado ter cuidados com a alimentação (para que estejam bem nutridas e com boa imunidade), com a limpeza dos úberes e com o controle do bem-estar das vacas, a fim de evitar o estresse. É fundamental a aplicação de produtos para a desinfecção dos tetos antes e após a ordenha, conhecidos como pré-dipping e pós-dipping.

 

Em relação ao agente etiológico: existem medicamentos eficazes que são utilizados para o combater os micro-organismos no local da infecção. Na maioria das vezes, a administração dos fármacos acontece no período seco, quando o tecido está se recuperando para a próxima lactação.

 

DIAGNÓSTICO

O tratamento com antimicrobianos continua sendo a principal estratégia para o controle das mastites.

 

Para diagnosticar a mastite subclínica são recomendados dois testes. O primeiro é para verificar o número de células somáticas no leite. Conhecido como CMT (California Mastitis Test) este teste estima o número de células somáticas no leite mediante a observação visual da reação entre a mistura do leite e o reagente. O resultado é demonstrado como ‘negativo’, ‘suspeito’, ‘fracamente positivo’ e ‘fortemente positivo’. Existem também outros métodos como a contagem eletrônica de células somáticas (CCS), na qual é possível identificar a infecção da glândula mamária sem alteração visível do leite.

 

O segundo é uma cultura bacteriana, que permite identificar quais são os agentes etiológicos através de uma amostra do leite. Além de diagnosticar, esse teste facilita o tratamento, pois proporciona a escolha do melhor fármaco para a recuperação da vaca.

 

O diagnóstico da mastite clínica consiste na observação das alterações físicas do leite (presença de grumos e/ou pús) e dos sinais clínicos característicos. Pode ser utilizado o teste do caneco de fundo escuro para confirmar as alterações. O teste é realizado com os três primeiros jatos de leite de cada teto, que servem como amostra para observação de possíveis irregularidades.

 

A forma e a frequência de realização e a organização dos dados provenientes destes métodos de diagnóstico são fundamentais para gerar informações úteis aos veterinários e aos proprietários de rebanhos. Esses dados, por consequência, podem auxiliar na correta tomada de decisão e na resolução dos problemas, eventualmente enfrentados.

 

TRATAMENTO

 

O tratamento para Mastite Subclínica consiste na administração de antibióticos pela via intramamária, durante, de preferência, o período seco da vaca. Neste período, o sucesso do tratamento é maior, visto que o tempo de descanso do animal permite o fármaco atuar durante um maior tempo.

 

O tratamento para Mastite Clínica consiste basicamente na administração, tanto de antibióticos sistêmicos quanto de antibióticos intramamários, com o intuito de evitar ou combater endotoxemia, pela entrada de bactérias pela corrente sanguínea, além da utilização de anti-inflamatórios não esteroidais, associadas a suporte para o animal, quando necessário.

 

PRODUTOS DISPONÍVEIS PARA AJUDAR NO TRATAMENTO

A Syntec do Brasil disponibiliza três produtos que podem ser utilizados como parte do tratamento da Mastite.

 

GENTOMICIN MASTITE: é um antibiótico intramamário à base de gentamicina e da família dos aminoglicosídeos, indicado para o tratamento de mastites causada por Staphylococcus aureus (coagulase negativa e positiva), Streptococcus agalactia , Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus uberis, Escherichia coli e Enterococcus sp. Sua formulação é à base de Gentomicina e sua indicação é para vacas em lactação de baixa a média produção. A Gentamicina é rapidamente absorvida, atingindo altas concentrações sanguíneas entre 1 e 3 horas após a sua administração.

 

GENTOMICIN INJETÁVEL 4%: é um antibiótico sistêmico, à base de gentamicina e da família dos aminoglicosídeos,  indicado para o tratamento de infecções causadas por microrganismos sensíveis ao Sulfato de Gentamicina, tais como: Gram-positivos: Staphylococcus spp e Streptococcus spp. Gram-negativos: Escherichia coli, Proteus sp, Klebsiella sp, Salmonella spp., Aerobacter aerogenes, Neisseria sp, Pseudomonas sp.

 

DICLOFENACO SYNTEC: é um anti-inflamatório não esteroidal e derivado do ácido fenilacético. Com potente atividade analgésica, é amplamente utilizado na medicina veterinária de grandes animais, possuindo propriedades anti-inflamatória, analgésica e antipirética.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

AIRES, T.A.C.P. Mastites em Bovinos: caracterização etiológica, padrões de sensibilidade e implementação de programas de qualidade do leite em explorações do Entre-Douro e Minho. 2010. 87 f. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina Veterinária) – Universidade Técnica de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária, Lisboa. 2010.

EMBRAPA Gado de Leite. Controle de Mastite. Disponível em: < www.cnpgl.embrapa.br/sistemaproducao/410216-controle-de-mastite>. Acesso em: 11 de abril. 2018.

EMBRAPA Gado de Leite. Contagem de Células Somáticas. Disponível em: <www.cnpgl.embrapa.br/sistemaproducao/4721-contagem-de-c%C3%A9lulas-som%C3%A1ticas>. Acesso em 11 de abril. 2018.