Skip to Content

Return

Doenças transmitidas por pulgas e carrapatos

O verão está chegando, e nesta época do ano devemos redobrar a atenção contra as doenças transmitida por pulgas e carrapatos. Além do desconforto causado pelas infestações destes parasitas  –  suas mordidas incomodam, causam dor e coceira – e da sua alimentação, que por ser baseada no sangue dos seus hospedeiros, espolia  e debilita os animais, estes parasitas transmitem sérias doenças para nossos cães e gatos. No texto de hoje iremos falar um pouco de algumas dessas doenças.

 

Os carrapatos

Os carrapatos são animais que necessitam do sangue de vertebrados para se alimentarem. Existem diversas espécies que parasitam cães (e gatos em menor grau, pois o hábito de autolimpeza destes animais ajuda na remoção dos parasitas), mas no Brasil é comum a presença de cães parasitados por carrapatos do gênero Amblyomma sp. e da espécie Rhipicephalus sanguineus. Os carrapatos do gênero Amblyomma parasitam várias espécies ao mesmo tempo. A cada mudança de fase destes parasitas – de ovo para larva, de larva para ninfa e depois para a forma adulta – estes carrapatos assumem grande importância na transmissão de doenças, pois podem ser encontrados sobre qualquer mamífero doméstico, silvestre, aves e no homem.

Os danos causados pelos carrapatos acontecem no processo de alimentação destes parasitas, e se baseiam em 4 pontos: a) ação traumática, pela dilaceração de células e tecidos; b) ação mecânica, pelo inchaço causado pela picadas; c) espoliação direta, pelo hematofagismo; d) ação tóxica, pela inoculação de substâncias pela saliva. Além disso, as lesões na pele podem ser predisposição para bicheiras e abscessos. Para piorar a situação, durante o processo de alimentação, os carrapatos podem transmitir microrganismos patogênicos juntamente com a saliva.

 

As Babesioses

As Babesioses são responsáveis por elevada patogenicidade para seus hospedeiros, especialmente para animais que tenham contato com esses agentes pela primeira vez, ou que estejam debilitados. São comuns as infecções mistas de parasitos do gênero Babesia juntamente com os da ordem Rickettsiales. Após a picada dos carrapatos vetores, o período de incubação se completa em 10 a 20 dias, quando ocorre febre, inapetência, depressão e lacrimejamento, podendo ocorrer icterícia. Posteriormente, o animal desenvolve uma marcada anemia, com uma queda de até mais da metade do número normal de glóbulos vermelhos. A ocorrência de hemoglobinúria aparece nos quadros de acentuada gravidade. Áreas edemaciadas aparecem especialmente nas partes baixas do corpo, como membros, bolsa escrotal, vulva, baixo ventre e também na região encefálica. As fezes ficam ressecadas e com acentuada mucosidade de coloração amarelada. Pode sobrevir após estes sinais um quadro de acentuada caquexia com a ocorrência de hemorragias do tipo petequial e equimoses nas membranas mucosas da vagina e das narinas.

Os sintomas febris ocorrem nos cursos agudos da doença. Nos casos crônicos os sinais de febre são persistentes por várias semanas, podendo este quadro febril ser intermitente e variar de 39º a 42º C. As pulsações podem atingir 100 batimentos por minuto, com característico pulso da veia jugular. Após o quadro agudo de um modo geral sobrevêm um quadro subclínico. Nestes casos, a infecção persiste por toda a vida do animal e recrudescências ao quadro agudo podem acontecer após meses ou muitos anos da infecção. Os animais nativos, nascidos em áreas endêmicas podem sobreviver por toda vida nestas áreas, sem demonstrar sinais clínicos. Nestes animais a mortalidade é baixa.

 

A Ehrlichiose

Os parasitos o gênero Ehrlichiae são organismos intracelulares obrigatórios e com tropismo por leucócitos circulantes. A parasitose é observada em cães domésticos infestados como Rhipicephalus sanguineus, que desenvolvem um quadro severo com febre alta e anemia. Esfregaços de sangue dos cães infectados corados pela técnica de Giemsa, demostram organismos semelhantes a pequenas rickettsias dentro dos monócitos. Os animais apresentam hiperplasia de linfonodos, esplenomegalia e severa pancitopenia, demonstrando pronunciada hipoplasia, depleção de megacariócitos e de precursores granulocíticos.

E.canis é um microrganismo específico de glóbulos brancos, e por isto causa patologias severas para os hospedeiros. Essencialmente, produzem inibição do sistema imune e de funções básicas na medula óssea. Tanto em humanos, quanto nos animais, a morte de células é maior do que a capacidade da medula óssea de promover sua reposição, sendo observadas células imaturas na corrente circulatória. Este fato pode tornar difícil o diagnóstico diferencial com quadros de leucemia ou linfossarcoma.

A doença evolui em três fases. A primeira é aguda e mimetiza infecção viral. Os sinais clínicos podem passar despercebidos. Na ausência de tratamento, ocorre evolução para a fase subclínica (segunda fase) ou pode evoluir para fase crônica (terceira fase) também conhecida como Pancitopenia Tropical Canina. A causa mortis em ehrlichiose, está frequentemente associada a hemorragia interna, severa doença autoimune e múltiplas infecções secundárias, devido ao comprometimento do sistema imune e falência múltipla de um ou mais órgãos internos, como coração, fígado, baço, etc. Uma das marcantes ações da Ehrlichiose é a redução dos elementos celulares do sangue. Embora os organismos vivam e se reproduzam nas células brancas, eles causam forte efeito no sistema linfático e potencialmente afetam múltiplos órgãos e sistemas. A severa depressão do sistema imune propicia condições para instalação de infecções bacterianas ou viróticas secundárias, levando ao emagrecimento, tosse, fadiga, febre intermitente, depressão, anorexia, e dor nos gânglios linfáticos.

O elemento que torna a ehrlichiose particularmente severa, é sua capacidade de mimetizar outras patologias. A detecção da doença é possível através do teste de Imunofluorescência indireta, ELISA ou Imunobloting, que detectam a presença de anticorpos. Existe a possibilidade de teste negativo na fase aguda ou na fase crônica, na hipótese de baixo nível de anticorpos. Na fase aguda é possível a demonstração de colônias nas células parasitadas, em esfregaço finos, fixados em metanol e corados pelo Giemsa ou Panótico rápido. Hoje está cada vez mais acessível o uso de testes com tecnologias moleculares, onde se busca a presença do DNA do parasita. Estes testes possibilitam um diagnóstico 100% seguro e sem falsos negativos.

Em um trabalho realizado no Mato Grosso, os pesquisadores recolheram carrapatos de cães normalmente infestados. Nestes parasitas recolhidos foi encontrada uma alta percentagem de carrapatos infectados por perigosos agentes patogênicos para os cães. Dos 380 cães avaliados, 274 cães se encontravam infestados com carrapatos, sendo identificados como R. sanguineus (72% de animais parasitados!). Dos espécimes coletados, 81 (29.6%) estavam positivos para amostras de DNA de agentes causadores de ehrlichiose.

 

Alerta aos proprietários

Nosso texto hoje foi mais técnico, voltado para os profissionais Médicos Veterinários, principalmente. Mas cabe aqui um alerta aos proprietários: as babesioses e a ehrlichiose são doenças sérias, muitas vezes fatais. Por isso, previna SEMPRE. Especialmente se você mora em uma área com grande ocorrência de carrapatos. Estabeleça com o seu Médico Veterinário de confiança um programa de tratamentos PREVENTIVOS, afim de evitar o contato do seu animal com os carrapatos. E, se perceber quaisquer dos sintomas de febre, prostração muito forte, e amarelamento/ palidez das mucosas, procure IMEDIATAMENTE ajuda no seu profissional de preferência. Uma intervenção rápida pode ser decisiva!

 

Soluções para prevenir e tratar

A Syntec oferece opções para prevenir as infestações por ectoparasitas como pulgas e carrapatos. K-spot é uma associação de dois princípios ativos, a Permetrina e o Metopreno, altamente eficazes no combate a esses parasitas, e deve ser utilizado como forma de prevenção, de preferência a cada 2 meses. A ação sinérgica dos princípios ativos confere ao K-spot eficácia contra todas as formas destes parasitas: adultos, larvas e ovos.

Já para tratar doenças como a Ehrlichiose e as babesioses a Syntec apresenta o Doxitec: um antibiótico pertencente ao grupo das tetraciclinas, moderno, eficaz e de amplo aspecto, que age sobre bactérias gram positivas e negativas. Também possui melhor absorção, distribuição e penetração nos tecidos, necessitando de doses diárias menores e em intervalos maiores que outras tetraciclinas. É o medicamento de escolha para o tratamento destas parasitoses, com alta eficácia e muita segurança.

 

Referências consultadas

ALMEIDA, A. B. P. F.; PAULA, D. A. J.; DAHROUG, M. A. A.; FREITAS, A. G.; SILVA, J. N.; DUTRA, V.; NAKAZATO, L.; SOUSA, V. R. F. Ehrlichia canis e Anaplasma platys em carrapatos de cães de Cuiabá, Mato Grosso. Semina: Ciências Agrárias, v. 33, n. 3, p. 1123-1126, 2012.

MASSARD, C. L.; FONSECA, A. H. Carrapatos e doenças transmitidas comuns ao homem e aos animais. A Hora Veterinária, v. 135, n. 1, p. 15-23, 2004.