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Doenças Autoimunes em Cães e Gatos

 

Dando sequência a nossa série de artigos sobre saúde dos pets, hoje vamos falar sobre mais um tema que muita gente fica com dúvidas: doenças autoimunes. Os tutores de cães e gatos geralmente ficam confusos quando recebem do veterinário o diagnóstico. Veja abaixo em detalhes o que é, as causas e o tratamento desse problema.

 

AFINAL, O QUE É UMA DOENÇA AUTOIMUNE?

 

A doença autoimune se caracteriza por uma falha no sistema imunológico que resulta em respostas imunes contra as próprias células e tecidos do corpo. Há a produção de anticorpos ou linfócitos autoreativos que atacam seletivamente determinadas células, gerando uma resposta inflamatória e, consequentemente, a lesão do tecido alvo.

 

CAUSAS

 

            Não se sabe exatamente. As causas ainda estão sendo estudadas, mas sabe-se que existe uma predisposição genética que induz esse distúrbio imunológico. Uma determinada combinação de genes pode levar a um risco maior de desenvolvimento da doença.  Postula-se também que fatores externos, como por exemplo, a exposição a fatores químicos (medicamentos, substâncias presentes na alimentação e no ambiente), infecções, vírus, deficiências nutricionais, estresse, entre outros podem ajudar a desencadear desordens imunológicas.

 

AS PRINCIPAIS DOENÇAS AUTOIMUNES DE CÃES E GATOS

 

            As doenças autoimunes de cães e gatos são raras se comparadas a outros problemas de saúde dessas espécies. Vamos explicar abaixo resumidamente algumas das autoimunes mais comuns em cães e gatos.

 

Lúpus Eritematoso Discoide: É uma doença que atinge a pele dos cães e gatos, onde as lesões são usualmente no plano nasal e na face. Diversas feridas na região são observadas, com despigmentação, eritema (vermelhidão) e descamação, podendo progredir para crostas e ulcerações. Lesões semelhantes podem envolver lábios, ponte nasal, tegumento periocular, pavilhão auricular e menos comumente, parte distal dos membros e genitália. No caso dos gatos, as lesões nasais são incomuns.

 

Lúpus Eritematoso Sistêmico: doença imunomediada multissistêmica, caracterizada pela produção de vários autoanticorpos, podendo atingir órgãos e tecidos diferentes. Tem caráter crônico e progressivo. Rara em gatos e incomum em cães. Os sintomas cutâneos são comuns. Pode haver erosões ou úlceras mucocutâneas ou em mucosas. Lesões multifocais ou difusas como erosões, eritema, alopecia, crostas, escoriações podem se instalar em qualquer parte do corpo, porém as mais comuns são face, orelhas e extremidades distais. Também é comum notar linfoadenomegalia periférica, febre oscilante, poliartrite, polimiosite, insuficiência renal, discrasia sanguínea, pleurite, pericardite, miocardite, neuropatia central ou periférica e linfedema. Lesões no plano plantar, nasal e pavilhão auricular são únicas e características de doença cutânea autoimune. Nos gatos, as lesões podem se instalar em qualquer parte do corpo, porém, face, pavilhão auricular e patas são mais frequentemente acometidas.

 

Pênfigo Foliáceo: outra dermatopatia imunomediada, o Pênfigo foliáceo atinge várias espécies. Ocorre pela produção de autoainticorpos contra um componente das moléculas de adesão dos ceratinócitos. A deposição deste anticorpo nos espaços intercelulares faz com que as células se separem uma das outras nas camadas epidérmicas mais superficiais.  Das doenças imunomediadas, é a mais comum em cães e gatos, acometendo os cães com mais frequência. Dos animais mais acometidos, encontram-se os de meia idade a senil. As raças predispostas são Akita, Bearded Collie, Chow Chow, Dachshund, Doberman e Terra Nova. Acomete a pele e as mucosas com a formação de pústulas superficiais como lesões primárias. Já as secundárias incluem erosões superficiais, crostas, escamas, colaretes epidérmicos e alopecia. A doença frequentemente tem início na ponte nasal, ao redor dos olhos e no pavilhão auricular antes de se generalizar. Despigmentação nasal acompanham as lesões. As lesões podem apresentar prurido variável. Hiperceratose do coxim plantar é comum e pode ser um dos únicos sinais da doença. Os gatos podem apresentar lesões ao redor do leito ungueal e mamilos como lesões únicas. Nos casos generalizados pode ocorrer febre, edema de membros, linfoadenomegalia, anorexia e depressão.

 

Anemia Hemolítica Imunomediada: ocorre por consequência do aumento da destruição de hemácias, como resultado da ação de anticorpos contra estas. Descrita com uma frequência muito menor em gatos do que em cães, pode ocorrer por um evento sem causa definida ou ser secundária a uma variedade de desordens infecciosas, neoplásicas, entre outras. Os sinais clínicos frequentemente incluem fraqueza, intolerância ao exercício, apatia, anorexia, taquipnéia, dispnéia, vômito, diarréia e ocasionalmente poliúria e polidipsia. O exame físico revela mucosa pálida, taquipnéia, esplenomegalia, hepatomegalia, febre e linfoadenomegalia. Icterícia, hemoglobinúria e bilirrubinúria são comuns e facilmente observadas.  Mais comum em cães do que em gatos. Pode ocorrer em qualquer raça de cães, mas o Cocker Spaniel, Poodle, Sheepdog são os mais. A raça Cocker Spaniel Americano representa aproximadamente um terço de todos os cães com AHIM. A idade média de manifestação clínica é de seis anos, mas ela pode se desenvolver em animais de um a treze anos.

 

Artrite Reumatoide: também de origem autoimune, onde os anticorpos atacam a membrana sinovial, tecido que preenche os espaços intra-articulares e promove a lubrificação para o bom funcionamento das articulações. Quando esse tecido é lesado, ocorre uma inflamação. Em geral, o tecido consegue se recuperar de uma inflamação sem maiores problemas. Porém, na artrite reumatoide, os anticorpos continuam a atacar essa membrana, podendo causar danos irreversíveis, como diminuição do espaço articular e erosões. Raramente acomete cães e afeta animais entre 8 meses a 8 anos de idade.  As articulações do carpo são as mais acometidas, tendo como outros sinais clínicos rigidez, claudicação, dor, fadiga muscular, perda de peso, apatia e hipertermia. Radiograficamente, os animais apresentam em suas articulações acometidas lise e erosão de cartilagem e osso subcondral.

 

DIAGNÓSTICO

 

            Conforme exposto acima, os sinais clínicos das doenças autoimunes são inespecíficos, e frequentemente se confundem com outras moléstias mais comuns. O diagnóstico é obtido a partir de uma boa anamnese, exames físicos e laboratoriais. Raramente existem exames específicos para essas doenças, tornando o diagnóstico difícil e demorado. O médico veterinário deve descartar uma série de outras enfermidades antes de aprofundar a investigação da doença autoimune, visto que algumas delas são raras.

 

TRATAMENTO

 

            Infelizmente, não há cura para as doenças autoimunes, e o tratamento baseia-se na supressão do sistema imunológico, a fim de diminuir o ataque das células de defesa, reduzindo a intensidade das lesões. Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do animal, o tratamento de cada sintoma também deve ser realizado como suporte. Visto que as doenças autoimunes não possuem cura, o tratamento prevalecerá durante toda a vida do animal. Entre as drogas imunossupressoras mais utilizadas, os corticosteroides são as mais indicadas e mais utilizadas.

 

            Dentre as opções de drogas imunossupressoras disponíveis, está a prednisolona, um corticosteroide que se destaca por ser biologicamente ativo, diferente da prednisona que necessita de conversão hepática para se transformar em prednisolona. É indicada como a melhor opção para os pacientes com doença hepática grave, que possuem dificuldades para fazer essa conversão. Além disso, certas interações medicamentosas podem afetar o metabolismo e a biodisponibilidade da prednisona. Essa característica também permite um início de ação mais rápido do medicamento.

 

A Syntec do Brasil disponibiliza esse fármaco no mercado veterinário através do produto PRESOLONA®.

 

PRESOLONA®: Indicado para uso oral em cães, nos casos de:

  • Eczemas inespecíficos, queimaduras, dermatites, dermatites alérgicas e outras afecções dermatológicas;
  • Irite, iridociclite, uveíte, coriorretinite;
  • Afecções do trato respiratório;
  • Afecções do trato intestinal;
  • Afecções no trato geniturinário
  • Miosite, artrite reumatoide, osteoartrite, bursite e outras afecções musculoesqueléticas;
  • Nos casos de insuficiência adrenal aguda, PRESOLONA® tem seu uso recomendado por interferir no metabolismo dos carboidratos e melhorar a diurese característica da insuficiência adrenal.

 

 

POSOLOGIA E MODO DE USAR

 

Processos inflamatórios ou alérgicos 0,5 a 1,0 mg/kg de peso corporal 1 a 2 comprimidos p/ cada 20kg de peso
Para imunossupressão 4 mg/kg de peso corporal 2 comprimidos de p/ cada 5kg de peso.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, C.; ROBAZZI, T.C.V.; MENDONÇA, M. Withdrawal from glucocorticosteroid therapy: clinical practice recommendations. Jornal de Pediatria, v. 84, n.3, p.192-202, 2008.

 

BARBOSA, M.V.F., et al. Patofisiologia do Pênfigo Foliáceo em cães: revisão de literatura. Medicina Veterinária, Recife, v.6, n.3, p.26-31, jul-set, 2012.

 

BELL, S.C.; CARTER, S.D.; BENNET, D. Canine distemper viral antigens and antibodies in dogs with rheumatoid arthritis. Research in Veterinary Science 50, 64-68,1991.

 

PALUMBO, M.I.P.; et al. Incidência das dermatopatias auto-imunes em cães e gatos e estudo retrospectivo de 40 casos de lupus eritematoso discóide atendidos no serviço de dermatologia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP – Botucatu. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 31, n. 3, p. 739-744, jul./set. 2010.

 

RISTOW, L.E. Anemia Hemolítica em cães e gatos. Revista Nosso Clínico – Edição nº85, 2012.

 

SOUZA, P.M.; ARAUJO, B.G.; SILVA, L.P. Farmacologia clínica: textos informativos. Brasília, 2012, 107p.

 

SPINOSA, H.S.; GORNIAK, S.L.; BERNARDI, M.M. Farmacologia aplicada à Medicina Veterinária, 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 897 p