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Cães com medo de fogos de artifício – O que fazer?

Com as festas de fim de ano chegando, muitos tutores de cães ficam apreensivos. E o principal motivo dessa preocupação é sobre os fogos de artifício e as bombas, tão comuns nessa época.  O medo ou fobia de ruídos fortes e repentinos é um dos problemas comportamentais mais comuns de cães. Confira abaixo mais detalhes sobre este problema e como ameniza-lo.

 

O problema

Quando o cão recebe o estímulo sonoro (detectado pelo seu sensível e eficaz sistema auditivo), este é automaticamente interpretado pelo sistema nervoso central, gerando reações emocionais e respostas comportamentais distintas. O tipo de resposta varia de indivíduo para indivíduo, porém sons de caráter repentino e intenso geralmente despertam reflexos de medo e fuga. Este reflexo pode se tornar exagerado conforme as caraterísticas individuais do ouvinte que são influenciadas por tendências genéticas,  experiências  prévias,  personalidade,  entre outros fatores (Westman & Walters 1981).

As respostas comportamentais mais frequentes são: busca incessante por tocas ou espaços cobertos e apertados, fuga sem direção certa, agitação, vocalização, cabeça baixa e corpo fletido, cauda tensa (recolhida entre os membros traseiros) e agressividade. Os sinais clínicos são típicos do medo intenso como: taquicardia, taquipneia, micção involuntária, polidipsia, entre outros.

As causas desse medo exagerado não são claras, pois mesmo que o animal nunca tenha tido uma experiência prévia negativa atrelada ao som forte, ele pode apresentar esses comportamentos. Provavelmente é uma resposta involuntária, pois o animal não tem capacidade de identificar o real risco daquele ruído, interpretando todos como perigos eminentes.

 

Como amenizar ou evitar problema

Falamos em amenizar porque não existe uma maneira viável totalmente eficaz, ou seja, que cesse o problema completamente e definitivamente. Existe sim uma série de medidas que diminuem o sofrimento do animal e os riscos envolvidos na situação. Veja abaixo algumas ações indicadas durante um episódio de fobia associada a fogos de artifício.

Manejo do ambiente: envolve controlar e alterar as diferentes variáveis ambientais que contribuem para a manifestação dessas alterações. Isso significa evitar que o estímulo (ruído) seja interpretado pelo cão através de mudanças no ambiente. O recomendado é fechar janelas e persianas, ligar o rádio, televisão e ventilador (esse ajuda principalmente em dias quentes, já que o animal fica agitado e pode sentir muito calor) para abafar o som dos fogos.  Preparar uma toca segura e confortável também ajuda a aumentar a sensação de segurança do cão. Utilize materiais que não ofereçam riscos e procure montar um espaço no local mais tranquilo do ambiente. Retirar objetos que ofereçam riscos, como materiais que possam tombar em cima do animal, ou itens com pontas cortantes, por exemplo, é outra medida necessária. Verifique também locais onde o cão tem alguma possibilidade de pular, pois alguns conseguem saltar grandes alturas, subindo muros e janelas e sofrendo quedas graves. É importante sempre identificar o animal com uma medalinha ou tag na coleira, com telefone de contato dos tutores, pois fugas são muito comuns. Outra dica é nunca acorrentar ou amarrar o cão, já que há um grande risco de enforcamento ou lesões decorrentes da corrente.

Comportamento do tutor: muitos tutores acabam se comportando de uma maneira que reforça o medo no animal. Por pena e por preocupação com o cão, é comum tentarmos afagar o animal, ficar ao lado dele o tempo todo, utilizar voz terna, entre outras atitudes que aumentam a ansiedade do animal.  Punir o cão caso ele faça algo errado (como urinar em local inadequado ou agredir alguém) ou tentar agrada-lo a qualquer custo, não é recomendado. Demonstrar ansiedade e preocupação também piora a situação, pois o animal é capaz de perceber e já prever o pelo pior, por isso o ideal é se manter neutro, como é de costume na lida com o cão, sem força-lo a nada.

Atendimento de um profissional: para casos mais complicados é recomendável procurar por um especialista. Pode ser necessário medicar o animal antes ou durante a crise, e apenas o médico veterinário pode ajudar nesse sentido. Existem medicamentos, como tranquilizantes e sedativos, que ajudam a diminuir os sintomas associados ao medo, reduzindo os riscos de acidentes e problemas de saúde que possam ocorrer durantes ou depois do quadro de pânico.

 

O que fazer para reduzir ou evitar as crises

O treinamento de dessensibilização é o mais indicado para diminuir o nível de estresse do cão com fobia aos fogos de artifício. O ruído assustador tem que ser apresentado ao cão gradativamente e durante momentos agradáveis para ele. Em dias tranquilos e durante brincadeiras, pode-se colocar o som das bombas (algum CD ou através da internet) num volume baixo no início. Após alguns dias ou semanas de treinamento, utiliza-se o som bem mais alto, recompensando o cão quando ele não demonstra medo ou ansiedade. O segredo do treinamento é a repetição e a paciência do tutor. Vale ressaltar ainda que em muito casos é necessário o acompanhamento de um especialista em comportamento canino/adestrador para te ajudar.

 

 

Syntec disponibiliza medicamento indicado para crises de pânico durante fogos de artifício

 A Syntec oferece ao mercado veterinário um produto indicado para tranquilização de animais em situações de estresse.  O medicamento Apromazin é um neuroléptico, tranquilizante e pré-anestésico à base de Acepromazina, para cães e gatos. Seu mecanismo de ação envolve o bloqueio dos receptores nervosos da dopamina no cérebro; causando consequente sedação, relaxamento muscular e também um efeito antiemético. A droga é metabolizada no fígado e seus metabólitos conjugados e não conjugados são excretados na urina. A tranquilização dos animais, em geral, persiste por 6 a 10 horas. Acepromazina é considerada muito segura, utilizada para situações de estresse como viagens, medo de fogos de artifício e outros ruídos, contenção para exames e procedimentos veterinários, entre outras situações. Apromazin só deve ser utilizado após prescrição do médico veterinário, que irá avaliar a situação do animal e a real necessidade do medicamento.

 

Referências:

SOUZA, C.C.F.; MEDEIROS, M.A. Fatores de risco e transtornos comportamentais concomitantes em cães de companhia com medo exagerado a sons. Rev. Bras. Med. Vet., 38(Supl.2):175-182, novembro 2016.

TEOTÓNIO, J.R.F.; Distúrbios comportamentais relacionados com o medo em cães. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, 2015. Universidade de Lisboa – Faculdade de Medicina Veterinária.

WESTMAN J.C. & WALTERS J.R. Noise and stress: a comprehensive appro-ach. Environ Health Perspectives, 41:291-309, 1981.