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Isosporose – Guia rápido sobre a doença

 

O QUE É?

 

A isosporose é uma infecção causada por protozoários do gênero Isospora. Esses microrganismos unicelulares provocam uma infecção na parede intestinal, lesionando o epitélio e prejudicando o seu funcionamento. Essa enfermidade é bastante conhecida por ser uma das causas mais comuns de diarreia em animais domésticos, principalmente em filhotes de cães e gatos criados em ambientes com alta densidade populacional.

 

COMO O ANIMAL PODE SE INFECTAR?

 

Os animais se infectam na maioria das vezes através da ingestão de água, alimentos e fezes contaminadas com oocistos. No entanto, a infecção também pode acontecer por meio da ingestão de ratos, baratas e moscas, uma vez que eles transportam o protozoário de um local para outro.

 

CICLO BIOLÓGICO

 

O ciclo biológico começa pela contaminação do ambiente. O ambiente é contaminado através da eliminação dos oocistos (“ovos”), não esporulados, junto com as fezes de um hospedeiro infectado. Se estiverem em condições adequadas de temperatura, oxigenação e umidade, os oocistos esporulam e tornam-se infectantes. A esporulação é um processo de reprodução, que acontece por meio da liberação de células especializadas no ambiente (esporos) para o crescimento de um novo microrganismo. O oocisto de Isospora apresenta dois esporocistos (estrutura que produz esporos assexuados), contendo quatro esporozoítos cada.

 

Esse oocisto, agora esporulado e infectante, entra no organismo do animal através da ingestão de água ou alimentos contaminados. Quando passam pelo trato digestivo, os oocistos sofrem ação de enzimas e sais biliares, liberando seus esporozoítos para a luz intestinal. Os esporozoítos, livres no intestino, entram nos enterócitos (células epiteliais da camada superficial dos intestinos) e dão início a um processo de desenvolvimento endógeno. Esse processo consiste na multiplicação intracelular por meio da reprodução assexuada, formando esquizontes e merozoítos, e em seguida de forma sexuada, formando gametas masculinos e femininos. A junção desses dois gametas dá origem a um novo oocisto.

 

No cão, as espécies infectantes mais comuns são Isospora canis e Isospora ohioensis que parasitam o intestino delgado e grosso. Já nos gatos, as espécies mais comuns são Isospora felis e Isospora rivolta, que infectam o ceco, o cólon e o intestino delgado. Após a infecção, esses protozoários provocam uma série de alterações na mucosa intestinal, sendo a diminuição da absorção local, a principal.

 

SINAIS CLÍNICOS

 

Os sinais clínicos mais comuns em cães e gatos são: diarreia (podendo conter sangue ou muco), desidratação, vômitos, perda do apetite, desconforto abdominal e aumento dos linfonodos. Por conta das lesões na mucosa, podem aparecer infecções secundárias causadas por bactérias oportunistas. Dessa forma, também podem ser observados sinais como a presença de pus, de sangue e enterite. É importante destacar que a gravidade da doença e o aparecimento dos sinais clínicos dependem da quantidade de oocistos infectantes presentes no organismo e da sensibilidade do hospedeiro.

 

PREVALÊNCIA

 

A Isosporose aparece com maior frequência nos filhotes, tanto de cão como de gato. A infecção pode ser adquirida através da ingestão de água ou alimentos contaminados, mas no caso dos filhotes, a causa mais comum é pelo contato direto com as fezes da mãe ou de outros animais parasitados. Por não possuírem suas defesas naturais totalmente desenvolvidas, o processo de infecção ocorre rapidamente e com maior gravidade na maioria dos casos. Em animais adultos, os sintomas raramente são apresentados.

 

DIAGNÓSTICO

 

O diagnóstico é feito através do histórico do animal, dos sinais clínicos apresentados e do exame de fezes para a detecção dos oocistos. Entretanto, o exame de fezes pode não ser eficaz para diagnosticar essa enfermidade, pois em alguns casos, as lesões causadas na mucosa intestinal e a diarreia acontecem antes mesmo da presença dos oocistos nas fezes.

 

TRATAMENTO

 

O tratamento de escolha consiste na administração de antibióticos do grupo das sulfonamidas. A associação com trimetoprima é indicada para potencializar o efeito antimicrobiano. Terapia de suporte com probióticos para equilibrar a microbiota intestinal e fluidoterapia devem ser instituídas também.

 

PROGNÓSTICO

 

A grande maioria dos animais infectados pelo Isospora sobrevivem a essa enfermidade. Dessa forma, com tratamento adequado, o prognóstico é considerado favorável.

 

PREVENÇÃO

 

Para prevenir a doença, é necessário separar os animais infectados dos animais saudáveis. Pelo fato dos oocistos serem bastante resistentes no ambiente, é fundamental manter a higiene do local com o uso de desinfetantes que sejam efetivos contra esporos, além de manter os comedouros e bebedouros sempre limpos. Também é importante evitar uma superpopulação nos canis e gatis, retirar as fezes regularmente, fornecer água filtrada e manter o controle de ratos, moscas e baratas no local.

 

Mesmo que na maioria dos casos os animais permaneçam assintomáticos, o Isospora não pode ser considerado um protozoário inofensivo. Em algumas condições, como em animais jovens, desnutridos ou imunossuprimidos a doença ser grave. Portanto, é fundamental fazer a prevenção e tratar animais diagnosticados, para que não se tornem uma fonte de infecção. Caso seu pet apresente sintomas similares, procure um médico veterinário rapidamente.

 

 

PRODUTO DISPONÍVEL PARA AJUDAR NA PREVENÇÃO

 

A Syntec do Brasil disponibiliza um desinfetante para ajudar no controle ambiental da doença.

 

GLIOCIDE: Desinfetante composto com alto poder germicida, Gliocide é um produto à base de Cloreto de benzalcônio (Quaternário de amônio) e Glioxal.

 

Quaternário de amônio (cloreto de benzalcônio): desinfetante de baixa toxicidade, muito utilizado para superfícies em clínicas e hospitais veterinários. Eficaz contra fungos, vírus envelopados e bactérias. Não é irritante para pele.

 

Glioxal: é considerado um desinfetante de alto nível, apresenta propriedades desinfetantes similares ao glutaraldeído. Seu espectro de ação abrange vírus (inclusive não envelopados), fungos e bactérias gram-positivas e gram-negativas. Apresenta atividade contra esporos bacterianos.

 

Os aldeídos, entre eles, Glioxal, tem sua eficácia aumentada quando são associados com ativos catiônicos, como o quaternário de amônio.

 

Se você é Médico Veterinário, adote a limpeza com estes produtos de forma regular e preventiva em sua clínica ou hospital, e não esqueça de recomendar o seu uso, especialmente para criadores.

 

 

PRODUTO DISPONÍVEL PARA TRATAMENTO

 

 

DIAZIPRIM: antibiótico à base de Sulfadiazina + Trimetoprima, é uma associação terapêutica para uso oral, indicado no tratamento de infecções bacterianas nos caninos e felinos e, especialmente, em filhotes e animais de raças pequenas. A administração de Diaziprim é de uma vez ao dia, ou conforme orientação do médico veterinário.

 

 

LAPPIN, M. R. Update on the Diagnosis and Management of Isospora spp Infections in Dogs and Cats. Topical Review. V. 25, N. 3, Agosto de 2010.

 

 

VASCONCELOS, M. G. C. et. al. Isosporose nos animais domésticos. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Periódico Semestral. Ano VI, N. 10, janeiro de 2008.