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Ceratoconjutivite Seca – causas, sinais clínicos, diagnóstico e tratamento

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Doenças oftálmicas são comuns nos pets, influenciando na qualidade de vida dos cães e gatos. Os olhos são estruturas nobres e muito sensíveis, responsáveis por um dos sentidos mais importantes e devem receber cuidados especiais. Por serem constituídos de estruturas complexas e especializadas, é importante que haja intervenção rápida no caso de alguma anormalidade. Hoje vamos falar sobre a Ceratoconjuntivite Seca (CCS), talvez a doença ocular mais comum atualmente.

 

O QUE É?

 

A Ceratoconjuntivite Seca, também conhecida como doença do olho seco, é uma enfermidade ocular grave que pode se tornar crônica e comprometer a visão do animal. É causada por deficiências quantitativas e qualitativas do filme pré-lacrimal (lágrima) e quando presente, causa ressecamento e inflamação da córnea e da conjuntiva, resultando em grande incômodo.

 

PATOGENIA

 

Primeiramente temos que entender como funciona e quais são as funções do filme pré-lacrimal. Ele é formado por três camadas, que se diferem pelas suas composições. A mais externa é a lipídica, que possui a função de dificultar a evaporação do líquido. Essa é produzida pelas glândulas tarsais e pelas glândulas de zeis, que estão localizadas na conjuntiva.  A camada intermediária é a porção aquosa e a mais espessa do filme, secretada pela glândula lacrimal principal. É constituída de glicose, sais inorgânicos, proteínas, glicoproteínas, biopolímeros e ureia, e serve como fonte de oxigênio para as células oftálmicas. Sua função é de remover corpos estranhos e manter a atividade ótica da córnea através de substâncias antibacterianas, como o IgA e a lactoferrina. Já a camada interna é caracterizada pela mucina, substância produzida pelas células calciformes da conjuntiva, que altera a superfície hidrofóbica da córnea em hidrofílica, possibilitando a hidratação necessária na região.

 

A doença se apresenta quando alguma anormalidade da produção e função do filme pré-lacrimal ocorre, tornando deficiente ou nula a função protetora da lágrima, afetando a córnea e a conjuntiva. Esse processo propicia a infecções secundárias que vão evoluir e destruir o tecido oftálmico.

 

ETIOLOGIA

 

A etiologia ainda é desconhecida, mas acredita-se que traumas, infecções, inflamação da glândula lacrimal, efeitos tóxicos de medicamentos, anomalias congênitas, processos auto-imunes e causas idiopáticas são os principais precursores para o desenvolvimento da Ceratoconjuntivite Seca. Além disso, acredita-se que a pré-disposição racial tem total influência, destacando cães da raça Cocker Spaniel, Lhasa Apso, Shihitzu,Yorkshire Terrier, Pug e  Buldogue Inglês como os que tendem a desenvolver a enfermidade. Mais especificamente, podemos classificar as fêmeas com maior tendência quando comparado aos machos, devido a questões anatômicas, como a menor quantidade de tecido secretor lacrimal.

 

SINAIS CLÍNICOS

 

Os sintomas são decorrentes do incômodo que a inflamação dos olhos causa. Blefaroespasmo (contração involuntária da pálpebra), enoftalmia (afundamento do globo ocular dentro da órbita), hiperemia e hiperplasia conjuntival, presença de terceira pálpebra, pus ou secreção ocular, entre outras alterações decorrentes de infecção.

 

DIAGNÓSTICO

 

Após um exame físico no animal, é necessário realizar um exame oftalmológico completo. O teste lacrimal de Schirmer para aferir a quantidade de lágrima produzida é um dos principais métodos diagnósticos. Já o teste com corante de fluoresceína tem como objetivo principal detectar úlceras de córnea, avaliar a integridade da córnea e determinar a qualidade da película lacrimal. O BUT (Break up Time) identifica em quanto tempo após o piscar dos olhos o filme lacrimal permanece protegendo a córnea.

 

TRATAMENTO

 

Há duas possibilidades de tratamento da Ceratoconjuntivite Seca, sendo eles o medicamentoso e cirúrgico. O medicamentoso visa a recuperação da umidade das estruturas oculares ressecadas em conjunto com o tratamento de transtornos secundários, como a conjuntivite bacteriana. Esta pode aparecer por conta da alta carga bacteriana, resultado da falta de conteúdo lacrimal, principal responsável pela higienização. Portanto, faz-se necessário a administração de colírios antibacterianos para o tratamento. As soluções à base de tobramicina são as mais utilizadas devido a sua alta eficácia no controle de infecções.

 

Além dos antibióticos, mostra-se eficaz a administração da ciclosporina A tópica quando a etiologia é autoimune.  Acredita-se que a ciclosporina A exerce efeito terapêutico inibindo e proliferando linfócitos-T helper na glândula lacrimal, o que permite a regeneração da glândula e retomada da função de secreção. Além disso, esse imunossupressor ainda é capaz de diminuir a inflamação, aliviando a dor do paciente.

 

Quando o tratamento por medicamentos não for suficiente, é indicado o procedimento cirúrgico. O mais recomendado é a transposição do ducto parotídeo, que como resultado, fortalece a lubrificação dos olhos, porém, é necessário verificar se o animal produz saliva normalmente antes de considerar a cirurgia – xerostomia (boca seca), ocasionalmente acompanha a Ceratoconjuntivite Seca!

 

PRODUTOS DISPONÍVEIS PARA AJUDAR NO TRATAMENTO

 

A Syntec do Brasil disponibiliza um produto que pode ser utilizado como parte do tratamento da Ceratoconjutivite Seca.

 

TOBRASYN®: É um colírio à base de tobramicina, indicado para o tratamento de infecções oculares de origem bacteriana em cães e gatos. A tobramicina possui um amplo espectro contra uma variedade de infecções causadas por bactérias gram-positivas e gram-negativas, como: Escherichia coli, Haemophillus sp., Klebsiella spp., Moraxella spp., Proteus mirabilis, Proteus vulgaris, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus intermedius, Streptococcus canis.

 

Estudos realizados mostram que a eficácia de tobramicina “in vitro” é significantemente mais alta do que a de gentamicina, principalmente contra S. Aureus. A tobramicina também se mostrou até quatro vezes mais eficaz contra Pseudomonas, quando comparada a gentamicina.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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