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A vacinação em cães e a sua importância

O que é a vacina?

 

As vacinas são substâncias biológicas que protegem os animais de determinadas enfermidades. Elas são preparadas nos laboratórios a partir dos microrganismos causadores de doenças infecciosas, como as bactérias e os vírus. O objetivo é estimular o organismo do indivíduo a produzir anticorpos sem contrair a doença, a fim de potencializar seu mecanismo de defesa. Com a aplicação da vacina, é possível desenvolver uma memória imunológica, que nada mais é do que uma produção antecipada de anticorpos especializados, que irão reconhecer o invasor caso o animal seja infectado por ele. Dessa forma, a ação contra uma infecção verdadeira acontece de forma muito mais eficaz e rápida, garantindo melhores condições de saúde ao animal.

 

Tipos de vacina

 

Atualmente existem três tipos de vacinas, a viva-atenuada, a inativada e a recombinante, que se diferenciam pela forma em que são produzidas. A viva atenuada é feita a partir de microrganismos vivos que passam por procedimentos laboratoriais de enfraquecimento. Mesmo enfraquecidos, esses patógenos ainda podem causar infecção, apesar da probabilidade ser quase nula. Portanto, é imprescindível uma avaliação das condições gerais do animal por um médico veterinário antes da aplicação desse tipo de vacina.

As vacinas inativadas consistem na utilização de microrganismos mortos, que não possuem capacidade de provocar a doença em hipótese alguma. Os microrganismos podem ser utilizados por inteiro ou apenas fragmentos destes que também são capazes de estimular a resposta imunológica. Quando comparamos com a vacina viva-atenuada, uma condição ruim de imunidade do animal não aumenta os riscos de infecção (uma vez que os microrganismos estão inativados), porém interfere na eficácia e na velocidade da resposta vacinal.
As vacinas recombinantes são produzidas através da retirada de um fragmento do DNA do patógeno com intuito de criar um agente semelhante, mas sem potencial de causar a doença para o animal.

 

Vacinação para cães

 

A vacinação dos cães começas a partir dos 45 dias de vida, com aplicação da primeira dose da vacina polivalente, conhecida popularmente como V8 ou V10. A diferença entre as duas está na quantidade de cepas disponíveis para a mesma doença. Essas vacinas atuam na prevenção das seguintes enfermidades: Cinomose, Hepatite Infecciosa Canina, Adenovirose, Coronavirose Canina, Parainfluenza Canina, Parvovirose Canina e Leptospirose Canina. Conheça um pouco mais sobre cada uma delas abaixo.

 

Cinomose

 

É uma virose de extrema importância por ser altamente contagiosa e uma das principais causas de morte entre cães por doença infecciosa. É causada pelo Vírus da Cinomose Canina (VCC) ou pelo Canine Distemper Virus (CDV). A maioria dos animais acometidos são aqueles não vacinados e que estão mais suscetíveis a apresentar baixa imunidade, como os filhotes e idosos. Entretanto, cães de qualquer idade podem adquirir a doença. Seu contágio acontece por meio das vias respiratórias, de secreções e de contato com fômites (objetos que estiveram em contato com algum animal infectado). O vírus da Cinomose pode atingir todo o organismo, mas os principais sintomas estão relacionados ao sistema respiratório, sistema imune e neurológico. Em muitos casos o prognóstico não é bom devido a alta taxa de mortalidade da doença. Em casos de sobrevivência, os cães podem ficar com sequelas neurológicas.

 

Hepatite Infecciosa Canina

 

A Hepatite Infecciosa Canina (HIC) é uma infecção viral causada pelo adenovírus canino tipo 1 (CAV-1). A enfermidade pode atingir todo o organismo, mas é conhecida principalmente causar sérios danos ao fígado do cão, a exemplo da necrose hepática e da hepatite aguda. Por apresentar alterações nesse órgão, é comum também encontrar manifestações neurológicas decorrentes da encefalopatia hepática, que nada mais é que problemas neurológicos causados pelo acúmulo de toxinas no sangue, ocasionados pela perda da função do fígado. Na maioria dos casos, os cães infectados manifestam a doença de forma aguda ou superaguda. No caso de uma infecção superaguda, o animal pode vir a óbito em questão de horas. Seu contágio ocorre através de exposição oronasal e a eliminação é feita por meio da urina (durante o período de 6 a 9 meses após a recuperação) e das secreções.

 

Adenovirose

 

É ocasionada pelo adenovírus canino tipo 2 (CAV-2), um dos possíveis agentes causadores da gripe dos cães. Esse tipo de vírus provoca nos cães uma infecção respiratória, com frequentes episódios de tosse, febre, secreções nasais e espirros, além de bastante apatia. Em casos de evolução da doença, os cães podem apresentar pneumonia, agravando ainda mais o quadro clínico. A transmissão normalmente está associada com locais de alta densidade populacional, como pet shops, canis e hotéis. As formas de transmissão mais comuns são: contato direto ou indireto dos cães, pelo ar, secreções respiratórias e por fômites.

 

Parainfluenza canina

 

O vírus da Parainfluenza canina também é um dos possíveis agentes causadores da gripe dos cães. Portanto, assim como a Adenovirose, a doença é bastante contagiosa e prejudicial ao sistema respiratório dos animais. A transmissão acontece através de pequenas gotas que os cachorros eliminam pelo nariz ou boca.

 

Coronavirose canina

 

É causada pelo coronavírus canino, sendo rapidamente disseminada no ambiente, provocando problemas intestinais nos animais. O contágio dessa doença acontece por meio da ingestão de alimentos ou fezes contaminadas com o vírus. Fômites contaminados também podem ser uma das fontes de infecção. Quando dentro do organismo, o microrganismo atinge o intestino delgado, provocando quadros de diarreia e má absorção dos nutrientes. Caso os sintomas não sejam tratados no início da doença, o cão acometido pode vir a óbito.

 

Parvovirose canina

 

É uma doença altamente contagiosa provocada pelo parvovírus, um vírus muito resistente e difícil de eliminar do ambiente. É conhecida por apresentar uma alta taxa de mortalidade em filhotes infectados não vacinados. A eliminação viral acontece pelas fezes e a contaminação é direta (oro-fecal). Quando infectados, os cães costumam apresentar principalmente diarreia (com sangue ou não), desidratação e febre, sinais semelhantes aos da Coronavirose canina. Por ser uma zoonose (transmissível para o homem), a enfermidade ganha bastante destaque, sendo a vacinação a melhor forma de prevenção.

 

Leptospirose canina

 

A Leptospirose é uma zoonose conhecida mundialmente, e os cães juntos com os ratos são os maiores reservatórios da bactéria causadora (geralmente Leptospira canicola e Leptospira icterohaemorrhagiae). A infecção normalmente acontece por meio do contato com água e alimentos contaminados com urina, fômites ou carcaça de animais também contaminados. A bactéria atinge vários órgãos, sendo os rins e o fígado os mais acometidos. Os animais portadores da doença possuem prognóstico reservado, podendo vir a óbito se não forem tratados.

 

Raiva

 

Acima foi abordada a vacina polivalente que é fortemente recomendada para todos os cães que estejam em boa condição imunológica. Já a vacinação anual contra a raiva é obrigatória por lei. A raiva é uma zoonose que atinge todos os mamíferos (inclusive humanos), apresentando mortalidade de quase 100% nos indivíduos infectados. Portanto, a única forma de controlar a enfermidade é através da vacinação, quebrando o ciclo de transmissão. O tutor deve identificar, no comprovante de vacinação, o nome do animal e nº do Registro Geral Animal – RGA. Este comprovante é um documento, atestando a vacinação contra a raiva do animal, com validade de um ano e necessário para obtenção do RGA.

 

Protocolo de vacinação

 

Veja abaixo o protocolo vacinal recomendado para o seu cão:

 

1ª dose da Vacina Polivalente com 45 dias de idade.
2ª dose da Vacina Polivalente de 21 a 30 dias após 1ª dose.
3ª dose da Vacina Polivalente de 21-30 dias após 2ª dose.

 

A partir das 12 semanas de idade é obrigatório a aplicação da Vacina antirrábica.

 

É importante destacar que tanto a vacina polivalente como a de raiva devem ser reforçadas anualmente!

 

Existem outras vacinas além destas que são recomendadas em algumas situações específicas, como no caso de um animal habitar uma área de risco para determinada doença, ou quando o veterinário julga necessário. Dessa forma, é importante visitar um médico veterinário para orientação.

 

A importância da vacinação

A importância da vacinação consiste em duas vertentes: a saúde dos animais e a saúde dos humanos. Para que um cão possua uma vida segura e saudável, é imprescindível seguir o protocolo de vacinação corretamente, uma vez que as doenças estão disseminadas pelo país e são de fácil transmissão. Por outro lado, além da preocupação com a saúde animal, também devemos nos preocupar com o lado humano. Algumas dessas doenças são zoonoses, onde um animal infectado pode transmitir a doença facilmente para uma pessoa.