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A Dictiocaulose Bovina

 

Existem diversos parasitas que causam danos à saúde dos bovinos e consequentemente perdas econômicas aos produtores. Hoje iremos falar sobre a Dictiocaulose Bovina, uma doença menos conhecida, e que atinge os brônquios e os bronquíolos dos animais.

 

 

 

O que é?

 

A Dictiocaulose Bovina é uma doença causada pelo Dictyocaulus viviparus, um parasita nematóide que acomete o sistema respiratório dos bovinos. A enfermidade atinge principalmente os animais mais jovens e possui importância econômica por interferir diretamente na saúde do gado, causando perda de peso, atraso no desenvolvimento dos bezerros, gastos com o tratamento e restrição para possíveis vendas de animais.

 

Assim como outras doenças, a transmissão da Dictiocaulose Bovina está relacionada com uma combinação de fatores, como época do ano (verão ou outono), quantidade de parasitas presentes no ambiente (pasto) e a condição imunológica dos animais. Algumas causas como fornecimento inadequado de colostro, estresse no desmame e estresse nos transportes podem ser determinantes para o enfraquecimento do mecanismo de defesa, aumentando a possibilidade de adquirir essa enfermidade.

 

 

Ciclo Biológico

 

O ciclo começa a partir da postura de ovos da fêmea de Dictyocaulus viviparus. Após a postura, as larvas conhecidas como “L1” são liberadas nas vias respiratórias (brônquios e bronquíolos) e em seguida migram até a região da traqueia, onde serão expelidas pela tosse ou deglutidas e eliminadas nas fezes. Quando eliminadas, elas passam a ser chamadas de “L2”. Em seguida, se essas larvas que foram eliminadas nas fezes estiverem em condições ideais, elas passam para a terceira fase (L3) em um período de cinco dias, e assim, tornam-se infectantes.

 

Ainda nas fezes, as larvas infectantes L3 adquirem a sua mobilidade e migram para o pasto, local onde serão ingeridas pelos bovinos. Outro meio que contribui para a disseminação dessas larvas é a presença do fungo Pilobolus. Esse fungo se desenvolve nas fezes e chama a atenção pela capacidade de lançar as larvas por distâncias de aproximadamente 1 metro.

 

Quando a larva L3 é ingerida pelos bovinos junto com as forragens, elas atingem o intestino e atravessam o tecido por meio da mucosa intestinal. Posteriormente, elas chegam aos gânglios linfáticos do mesentério através dos vasos sanguíneos. Nos gânglios, as larvas atingem o último estágio, denominado de L4. Após atingir os linfonodos as L4 migram pelos vasos sanguíneos até os brônquios, bronquíolos e alvéolos. Nessas estruturas as fêmeas atingem a maturidade sexual e dão início a novas posturas e consequentemente a um novo ciclo.

 

 

Sinais Clínicos

 

Os sinais clínicos variam de acordo com o estágio da infecção e podem aparecer desde uma tosse esporádica até sinais mais relevantes. Dentre os mais comuns, podemos destacar: taquipneia (aumento da frequência respiratória), tosse frequente, secreção nasal, dispneia (desconforto respiratório), respiração bucal, pescoço e cabeça estendidos, cianose (mucosas com coloração azulada), grunhidos, anorexia (perda do apetite), intolerância aos exercícios, crescimento reduzido, queda na produção de leite e repouso excessivo.

 

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico da Dictiocaulose Bovina é feito por meio da identificação dos sinais clínicos em conjunto com a realização de exames laboratoriais, pois os sinais manifestados não são exclusivos dessa doença. Dessa forma, os métodos mais indicados são: ELISA, retirada do exsudato traqueal para pesquisa de larvas no microscópio e o método de Baermann, que visa buscar larvas infectantes nas fezes. Além desses métodos, também é possível fazer o diagnóstico em animais que vieram a óbito através da necropsia. Nesse caso, é possível encontrar os parasitas adultos nos brônquios e nos bronquíolos.

 

 

Tratamento

 

O tratamento consiste na administração de anti-helmínticos, como o albendazol, ivermectinas e levamisol.  Essas substâncias são eficazes contra todos os estágios do parasita, proporcionando a eliminação dos parasitas e a melhora dos sintomas clínicos. Independentemente da medicação escolhida, é importante fazer uma avaliação do estado geral de cada animal e posteriormente separá-los em dois grupos, de acordo com a gravidade dos casos. Aqueles que ainda apresentarem sintomas devem ser mantidos em observação em local fechado, longe do pasto. Apenas os animais que estiverem livres dos sinais clínicos podem retornar ao campo.

 

 

Prevenção

 

Para prevenir a doença e necessário impedir que os animais saudáveis ou recém recuperados se infectem, separando-os dos animais que possam estar doentes. É fundamental que os animais adultos se alimentem em áreas destinadas apenas a sua faixa etária, impedindo que eles utilizem o pasto dos bezerros. Também é recomendado seguir as medidas de biossegurança, que objetivam minimizar os riscos de perdas econômicas com tratamento dos animais doentes e com possíveis mortes. Essas medidas são voltadas a higienização de todas atividades que envolvam o gado, além da higienização dos equipamentos utilizados que entraram em contato com o esterco. Outra maneira de prevenir a Dictiocaulose Bovina é por meio de um manejo estratégico dos pastos, ou seja, deixar os animais jovens nas áreas mais elevadas da propriedade com o objetivo de evitar locais baixos e úmidos.

 

 

PRODUTO DISPONÍVEL PARA O TRATAMENTO

 

A Syntec do Brasil disponibiliza um antiparasitário para o tratamento da doença.

 

ALNOR 10%: é um medicamento indicado para o tratamento em bovinos de parasitose pulmonar (causada por Dictyocaulus viviparus), parasitose gastrointestinal (causada por vermes redondos e chatos cestódeos) e parasitose hepática (causada pela Fasciola hepática).

 

Para ovinos, o medicamento é indicado para o tratamento de parasitose pulmonar (causada por Dictyocaulus filaria), parasitose gastrointestinal (causada por vermes redondos e chatos cestódeos) e parasitose hepática (causada pela Fasciola hepática e gigantica).

 

Referências

 

SHITE, A.; ADMASSU, B.; YENEW, A. Bovine Dictyocaulosis: A Review. European Journal of Biological Sciences 7, ed. 3, p. 125-131. 2015.

 

LOPES, R. M. G. et al. Dictiocaulose. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária. Periódicos Semestral. Ano VI, N.11. Julho de 2018.

 

Souza, R. O. Parasita Pulmonar em Bovinos. <www.milkpoint.com.br> 2005.