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Entenda como prevenir e diagnosticar a claudicação em equinos

A claudicação, também conhecida como “manqueira”, é uma afecção muito comum e de grande importância em equinos, principalmente para aqueles que trabalham com modalidades esportivas. A claudicação nada mais é do que um sintoma que indica uma alteração na função ou na estrutura dos membros de locomoção do animal, que pode ser desencadeada por inúmeras causas. Quando um animal está com esse sintoma, além do desconforto e da dor, ocorre queda no desempenho das suas atividades, além de gastos com o tratamento. Dependendo de qual for a origem da lesão, o animal pode ficar incapacitado de exercer a sua função, prejudicando muito sua qualidade de vida e intensificando ainda mais os prejuízos financeiros. Veja a seguir quais são as causas mais comuns que levam o cavalo a mancar e como fazer o diagnóstico corretamente.

 

Causas

 

Conforme dissemos acima, existem diversas causas que podem desencadear esse sintoma. As principais estão relacionadas com traumas, anomalias congênitas ou adquiridas, infecções, problemas circulatórios e nervosos, distúrbios metabólicos ou a combinação de qualquer um dessas causas juntas.

 

Traumas: essa provavelmente é a causa mais comum. Durante o trabalho ou a prática de um esporte, o animal está sujeito a fraturas, entorses, pancadas e fraturas. O cavalo pode sentir um desconforto passageiro com qualquer lesão, mas quando a claudicação se torna permanente é sinal que houve um problema mais sério, necessitando de tratamento.

 

Casqueamento: geralmente os problemas nos cascos estão relacionados com a falta de cuidados. Quando o equino apresenta problemas no casco, é comum que outras estruturas sejam afetadas para compensar o apoio errado, o que justifica o animal mancar na sua locomoção.

 

Laminite: é uma afecção bastante recorrente nos cavalos, trata-se de uma inflamação nas lâminas do casco. Vários fatores podem levar o desenvolvimento dessa doença, a exemplo do uso prolongado de corticoides, isquemia (problemas de circulação que levam a um menor aporte de sangue ao casco), excesso de trabalho, ingestão excessiva de carboidratos, distúrbios metabólicos e até infecções. É uma patologia que altera as estruturas do casco, causando dor intensa e consequentemente problemas de mobilidade.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico é feito com base no histórico do animal e no exame do aparelho locomotor, que pode ser dividido em três etapas: identificação do membro claudicante, localização da lesão e exames complementares para o diagnóstico.

 

Sendo assim, a primeira fase da investigação se da pela visualização atenciosa do animal em repouso, que permite avaliar deformidades, atrofias musculares, posturas anormais, áreas edematosas (inchadas), presença de feridas, fístulas e cicatrizes. A próxima etapa consiste na observação do cavalo em movimento, de preferência exercendo as atividades que ele está acostumado a praticar diariamente. Nesse tipo de exame é importante conhecer a simetria dos movimentos do animal e estimular a movimentação em diferentes níveis de intensidade por meio de caminhadas, trotes e galopes. A partir dessa observação, é preciso classificar a “manqueira” para que seja possível saber o seu grau de gravidade. Confira a seguir como a claudicação pode ser classificada segundo Stashak (1994).

 

Grau 1: a claudicação é visualizada quando o animal está trotando, mas não é perceptível quando ele está caminhando.

 

Grau 2: a claudicação é observada durante a caminhada, mas o equino não possui movimentação de cabeça (atitude comum quando está com dor).

 

Grau 3: a claudicação é facilmente vista ao passo e há movimentações de cabeça bastante perceptíveis.

 

Grau 4: o animal apresenta impotência funcional do membro, ou seja, não consegue se locomover. Nessa situação, normalmente o cavalo não apoia o membro no chão, dividindo o seu peso para em outras estruturas do corpo.

 

Os movimentos da cabeça e da garupa são informações valiosas para o Médico Veterinário. Através do tipo de movimento é possível descobrir qual membro está afetado.  Na claudicação dos membros torácicos (anteriores), o animal eleva a cabeça ao tocar o membro afetado no solo. Por outro lado, quando o membro saudável entra em contato com o chão, a cabeça é abaixada. Já na claudicação dos membros pélvicos (posteriores), a garupa do lado acometido se eleva durante o apoio do membro lesionado e desce durante o apoio do membro sadio. Em casos de claudicação bilateral (torácica e pélvica), a movimentação da cabeça é quase imperceptível, mas um bom sinal é que ao se locomover, o animal parece que está arrastando a pinça do casco.

 

Após observar o animal em atividade com atenção, o próximo passo é fazer o exame físico. O exame físico é feito através da palpação de todas as estruturas (palpáveis) dos membros, como ossos, ligamentos, nervos, tendões, vasos e cascos. O objetivo desse exame é identificar possíveis alterações e regiões doloridas. Especialmente no casco, é necessário fazer a pinça, que nada mais é do que o uso de um equipamento que pressiona a parte inferior e superior da estrutura. Esse método permite avaliar sinais de dor, mas é preciso ter cuidado para não pinçar com o uso da força excessiva, pois a reação pode levar a um diagnóstico equivocado.

 

Para confirmar as suspeitas após o exame físico, alguns exames complementares podem ser úteis. A escolha do exame vai variar de acordo com cada caso, mas estão disponíveis: raio x, ultrassom, termografia, cintilografia, artrocentese, biópsia da membrana sinovial, bloqueios e anestesias locais e regionais (infiltração), entre outros.

 

Bloqueios anestésicos para diagnóstico

 

Uma valiosa ferramenta diagnóstica nos casos de claudicação é a utilização de bloqueios anestésicos locais, a fim de localizar o local que está dolorido. Através da administração de anestésicos locais injetáveis de curta duração, o médico veterinário pode isolar locais suspeitos de estarem gerando a claudicação, como determinados tendões, ligamentos, dígitos, articulações, músculos e até a pele.

 

Prevenção

 

A prevenção é tão importante para a saúde do animal quanto para o criador. Muitas vezes é praticamente impossível evitar algum tipo de problema, mas algumas medidas devem ser tomadas a fim de preservar o bem estar animal. É fundamental ficar atento ao aprumo do casco (alinhamento em relação ao solo), fazer um ferrageamento de qualidade, proporcionar pisos adequados para a prática de exercícios (solos nivelados), oferecer uma dieta equilibrada para evitar o excesso de peso e distúrbios nutricionais, realizar um bom condicionamento físico e nunca ultrapassar os limites do animal. Além disso, em situações de patologias hereditárias, é fortemente recomendado fazer uma seleção genética na propriedade para diminuir a incidência de animais com problemas locomotivos.

 

Tratamento

 

O tratamento varia de acordo com o diagnóstico realizado. No geral, é possível amenizar os sintomas com: repouso, massagens no local dolorido, analgésicos, anti-inflamatórios  e aplicação de compressas frias ou quentes. No caso das compressas, é recomendado compressas frias em lesões agudas (que aconteceram há pouco tempo) e compressas quentes em lesões crônicas (que aconteceram faz algum tempo). Além desses métodos, outra medida para amenizar as dores é a colocação de ligas de descanso, que ajudam a relaxar os tendões e as articulações do cavalo. O sucesso no tratamento vai depender diretamente do diagnóstico correto, do grau e da evolução da lesão.

 

 

Referências bibliográficas

 

STASHAK, T. S. Claudicação em eqüinos segundo Adams. São Paulo: Roca, 1994.